Cartão de crédito e empréstimos em bancos ou financeiras são os principais vilões da inadimplência no país, revela pesquisa CNDL/SPC Brasil
Água, luz e telefone são as contas que os inadimplentes mais pagam em dia. Supermercado e roupas foram os itens que mais levaram à inadimplência
O endividamento dos consumidores brasileiros bateu recorde nos últimos meses. E as dívidas com cartão de crédito são as principais causadoras da inadimplência. É o que aponta um estudo realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offerwise Pesquisas, que mostra que o cartão de crédito (31%), empréstimo em banco ou financeira (26%), crediário (21%), o cheque especial (15%) e telefone (11%), foram as principais contas em atraso que levaram os consumidores a ficarem com o nome sujo.
O levantamento também mapeou quais são as demais contas que os inadimplentes possuem atualmente com o pagamento em atraso, mas que não necessariamente tenham levado à negativação. De acordo com os dados, o cartão de crédito (20%), empréstimo com parentes/amigos (19%), conta de água e luz (15%), cheque especial (13%) e crediário (13%), são as contas que os entrevistados mais deixaram de pagar.
“A queda da renda real do brasileiro, principalmente por conta da alta da inflação e dos juros altos no país, tem feito com que a inadimplência se mantenha em trajetória de crescimento. O momento é de cautela e muita atenção por parte dos consumidores. Os juros do cartão de crédito são um dos mais altos do mercado, por isso, vale a pena o consumidor negociar e buscar alternativas de empréstimo com juros menores para quitar as dívidas com cartão”, destaca a especialista em Finanças da CNDL, Merula Borges.
Supermercado, vestuário e remédios foram os principais itens comprados no crédito que levaram os consumidores à inadimplência
De acordo com os inadimplentes, o tempo médio das contas que estão com o maior tempo de pagamento em atraso são: o empréstimo em banco ou financeira (12 meses), parcelas a pagar em cheques pré-datados (12 meses), crediário (11 meses) e cartão de crédito (11 meses).
Os principais produtos/serviços comprados no crédito, seja no cartão de crédito, cartão de lojas, no cheque ou crediário, que levaram à inadimplência foram os itens de supermercado (43%), roupas, calçados e acessórios (32%), remédios (28%), eletrônicos (19%), eletrodomésticos (19%) e combustível (18%).
O valor médio das dívidas dos inadimplentes, incluindo juros e multas, é de R$ 4.477, sendo que 20% possuem dívidas entre R$ 2.500 e R$ 7.500 e 14% entre R$ 500 e R$ 1.000.
Contas de água, luz e telefone são prioridade de pagamento para os inadimplentes
Quando falta dinheiro para honrar todos os compromissos, um dos maiores desafios para os inadimplentes é priorizar as contas que devem ser quitadas em primeiro lugar. Nesse sentido, a pesquisa mostra que os brasileiros inadimplentes vêm priorizando o pagamento em dia, da conta de água e luz (70%), de telefone (64%), TV por assinatura / internet (63%), plano de saúde (43%) e condomínio (38%).
“Muitos inadimplentes acabam fazendo um tipo de rodízio para escolher qual conta pagar naquele mês, o que demonstra a situação extrema de alguns. Outros, tendem a priorizar o pagamento de contas básicas, que implicam no corte de fornecimento caso haja atrasos no pagamento”, afirma Merula Borges.
METODOLOGIA
Público-alvo: Consumidores com contas em atraso há mais de 3 meses, de todas as capitais brasileiras, homens e mulheres, com idade igual ou maior a 18 anos, de todas as classes econômicas.
Método de coleta: pesquisa realizada via web e pós-ponderada por sexo, idade, estado, renda e escolaridade.
Tamanho amostral da Pesquisa: 634 casos, gerando uma margem de erro no geral de 3,9 p. p. para um intervalo de confiança a 95%.
Data de coleta dos dados: 28 de fevereiro a 07 de março de 2023.
SOBRE A PORTA-VOZ
MERULA BORGES: Especialista em investimentos e risco pela Fundação Getúlio Vargas, especialista em Gestão de Negócios pelo IBMEC, bacharel em Administração de Empresas. Com mais de 12 anos de experiência na área financeira, atualmente exerce a função de coordenadora financeira e administrativa na Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas
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